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Número de pessoas desaparecidas no RS em 2013 já ultrapassa 5 mil



Caso da idosa que sumiu em santuário ganhou repercussão nacional.
Estado deve aderir a programa da ONU contra tráfico de pessoas.

Nos primeiros sete meses do ano, mais de cinco mil pessoas desapareceram no Rio Grande do Sul. O número de casos preocupa profissionais da área, que se reuniram nesta sexta-feira (23) em Porto Alegre.

O caso da mulher de Delmar Winck, desaparecida há 10 meses, ganhou repercussão nacional. Beatriz, de 78 anos, sumiu durante uma visita com a família ao Santuário de Aparecida, no interior de São Paulo, em outubro do ano passado.

"Eu estou tomando antidepressivos e outros medicamentos mais para poder suportar. A esperança é de que ela não morreu e não vai morrer. E nós não vamos desistir dessa luta enquanto ela não estiver presente", diz o marido da desaparecida.

Delmar falou na tarde desta sexta-feira (23) em uma audiência pública na Assembleia Legislativa, que ouviu familiares de desaparecidos. O número de pessoas nessa situação aumentou em quase 45% nos últimos 10 anos. Em apenas 82% dos casos é registrado o reaparecimento, ou porque a família não avisa a polícia do retorno ou porque as pessoas não são encontradas.

"O estado precisa se apropriar desses dados e criar políticas de proteção de acompanhamento, seja pra família, seja pra essas pessoas que por sua vez ainda esperam uma ação do estado pra ser encontrada", diz o deputado Aldacir Oliboni (PT).

No Rio Grande do Sul, mais da metade dos casos de desaparecimento envolvem crianças ou adolescentes. Segundo a polícia especializada, 80% desses menores saem de casa voluntariamente.

"Uma das principais causas de desaparecimento pode ser maus-tratos da família, drogadição, ausência dos pais, da figura paterna, principalmente, na família, fugas voluntárias daquele período de férias, fugas para constituir família", explica o delegado Andrei Vivian, do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente da Polícia Civil.

Especialistas acreditam que uma parcela de desaparecidos seja vítima de tráfico internacional de pessoas. Por isso, o Brasil assinou um convênio com a Organização das Nações Unidas (ONU). O estado deve aderir ao programa este ano.

"É uma região de fronteira, é uma região que enfrenta o problema do tráfico de pessoas, como vários outros estados, e é uma região que tem feito um trabalho muito interessante na área do enfrentamento ao tráfico de pessoas, que pode ser intensificado com essa campanha", afirma Níveo Nascimento, Oficial de programas de prevenção ao crime da ONU.

A polícia está ajudando a família de Francisco, um pedreiro nascido no Piauí está desaparecido há 10 dias em Porto Alegre. "O que eu quero é que, alguém que tenha notícias, que dê para gente, entre em contato, que a gente se preocupa muito com a família Porque muita gente vive procurando, não sou só eu", diz o pedreiro Raimundo Alves Pereira Filho.

* Do G1.