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RS registra mais de 6 mil desaparecidos em 2014

Dados da Secretaria de Segurança revelam que 3,2 mil sumidos são menores


Entre janeiro e agosto deste ano, o Rio Grande do Sul teve mais de 6,2 mil registros de pessoas desaparecidas. Desse total, 3,2 mil são menores de idade e em torno de 3 mil são adultos. No ano de 2013, o número de ocorrências foi de 10,2 mil, dividindo-se em 5,3 mil menores e 4,9 mil adultos. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Em 2014, nos oito meses, ocorreram 4,7 mil localizações de desaparecidos. Já o total de 2013 ficou em mais de 8,1 mil registros de encontrados.

Nos oito primeiros meses de 2014, o número de desaparecidos não difere muito entre homens e mulheres, sendo que os casos masculinos superam os femininos em apenas 109 registros. Conforme a SSP, a principal faixa etária é dos 12 aos 17 anos, com 3,3 mil casos, seguido dos 18 aos 24 anos, com 822. Porto Alegre é onde se concentra a maioria das ocorrências, com pouco mais de 1,5 mil desaparecidos entre janeiro e agosto deste ano, enquanto 2013 totalizou 2,6 mil. No mesmo período, ocorreram quase 1,1 mil localizações, ao passo que o ano passado teve 2,2 mil pessoas encontradas.

Diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, o delegado Cristiano Reschke revela que a 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (5ªDHPP) tem uma equipe dedicada exclusivamente aos casos de desaparecimentos na Capital. Segundo ele, a média de reaparecimento está em 90%, geralmente no prazo de uma semana.

O delegado lamenta que muitas famílias não informam o retorno da pessoa que estava desaparecida, permanecendo a ocorrência em aberto. Ele entende que o problema, que eleva as estatísticas, poderia ser resolvido com a suspensão temporária do RG e do CPF da pessoa até que fosse regularizada a situação.

Um outro ponto importante destacado pelo Reschke é o fato de que a família não traz todas as informações sobre o parente desaparecido quando do registro da ocorrência. Dados como vida social, vícios, amizades, envolvimento com ilícitos, entre outros, muitas vezes, não são revelados ou omitidos, seja por desconhecimento, seja por receio de comprometer a pessoa. “Isso dificulta e atrasa o início das investigações”, lamenta o delegado.

"Um dia meu filho voltará para casa"

O drama de quem espera pelo retorno ou por alguma informação sobre um ente querido desaparecido é permanente e doloroso. Em 23 de outubro de 2012, o universitário Roberto Alencris da Silva Teichinkoski, 27 anos, sumiu quando saiu de casa para o trabalho. Ele estava em uma parada de ônibus no bairro Parque dos Maias, em Porto Alegre, e nunca mais foi visto.

A mãe, Christine Ferreira da Silva, 48 anos, conta que testemunhas falaram que o seu filho foi abordado por três homens, sendo colocado à força dentro de um Fox. Na época, acrescenta Christine, surgiu a informação de que um foragido estaria envolvido no desaparecimento do estudante universitário. Segundo a mãe, as investigações policiais nunca conseguiram provar nada em relação ao suspeito e o inquérito, sem ninguém indiciado, foi remetido à Justiça. “Não ficou comprovado nada”, lamenta.

Christine mantém a esperança de que o filho esteja vivo e retorne algum dia. “Estou aguardando uma resposta”, afirma, reforçando que sempre espera pelo surgimento de pistas sobre o filho, pois “nunca soube de nada até agora”.

Já no dia 17 de dezembro de 2013, a dona de casa Eliane de Souza Gonçalves, 37 anos, saiu de sua residência, no bairro Lageado, também na Capital, e nunca mais retornou. Ela levava apenas uma mochila. “É um mistério”, afirma a irmã de Eliane, a educadora assistente Elizete de Souza Gonçalves, 30. “Não temos respostas e cada dia que passa é uma angústia sem fim”, desabafa Elizete. “Ninguém viu”, acrescenta, ressalvando que a família não tem ideia de onde Eliane esteja. Para a irmã, a aflição e o medo de ter uma notícia ruim são constantes. A pessoa fica sobressaltada quando toca o telefone ou a campainha da porta.


*Do Jornal Correio do Povo.